ACTIVIDA E CONTEÚDOS

ACTIVIDA E CONTEÚDOS

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Livres como Livros




Livres como Livros
1 dezembro, 18h,  Biblioteca Municipal Almeida Garrett

Resultado de um protocolo de cooperação entre a U.Porto e a Câmara Municipal do Porto, e com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura, o projeto "Livres como Livros", que decorrerá até dezembro de 2013, pretende dinamizar as práticas de leitura na sociedade, convidando personalidades da Universidade e da cidade a darem os seus testemunhos enquanto leitores.
"Livres Como Livros" é constituído por dois sub-programas que decorrerão paralelamente:
- "Livros da Minha Vida", constituído por 15 sessões em interação com uma crescente Comunidade de Leitores, sempre às terças-feiras, às 21h15, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett
- "A Arte de Sermos Livros", que inclui 14 sessões abertas, desenrolar-se-ão no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, ao sábado, às 18h.
Diversos quadrantes da sociedade foram convidadas a prestar o seu testemunho e a partilhar vivências com os cidadãos, como Aureliano da Fonseca, Adélia Carvalho, Alexandre Quintanilha, Eurico Carrapatoso, Eugénia Aguiar e Branco, João Leite, Júlio Magalhães, Joaquim Gomes, Germano Silva, Gémio Luís, Luísa Cortesão, Maria Teresa Horta, Paulo Cunha e Silva e Richard Zimler, entre muitos outros. As comissárias desta iniciativa são Isabel Pereira Leite, Isabel Morujão e Maria Luísa Malato, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Todas as iniciativas de “Livres como Livros” são de acesso livre e gratuito, embora exijam inscrição prévia.

Os Livros da minha Vida - Conferências / Comunidade de leitores | terça-feira, 21h15
11 dezembro | [2013] 29 janeiro | 26 fevereiro | 26 março | 30 abril | 21 maio | 18 junho | 9 julho | 17 setembro | 8 outubro | 12 novembro | 3 dezembro | 17 dezembro

A Arte de sermos Livros - A escrita, o livro e a leitura | sábado, 18h
1 dezembro | [2013] 12 janeiro | 9 fevereiro | 9 março | 6 abril | 11 maio | 15 junho | 13 julho | 21 setembro | 19 outubro | 2 novembro | 16 novembro | 7 dezembro

Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Rua de D. Manuel II
Jardins do Palácio de Cristal
4050-239 Porto
Tel.: 226 081 000 | E-mail: bib.agarrett@cm-porto.pt

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Sétimo Selo



Uma obra atemporal que mostra a morte como uma natural e inevitável consequência do existir. Ingmar Bergman ambienta a história na Idade Média em um momento onde a Guerra dos Cem anos, a peste negra e a inquisição assolavam e assombravam o continente expondo a natureza humana de forma crua e cercada de mitos.




Ingmar Bergman abordou temas intrínsecos à existência humana  – como desejo, morte e religiosidade –, o cineasta rompeu as fronteiras do cinema sueco e atingiu a universalidade.
  
O Sétimo Selo é uma obra-prima do diretor sueco Ingmar Bergman, lançada em 1956, concebida e dirigida pelo cineasta a partir de uma criação dramatúrgica do mesmo autor. Ele procura resgatar na era medieval, particularmente no universo do século XIII, avassalado pela deflagração da Peste Negra, um paralelo com o mundo moderno. A trama em preto e branco retrata um momento sombrio da Idade Média no continente europeu, que ganha, pelo menos no filme de Bergman, uma coloração apocalíptica; esta metáfora do homem enquanto agente destruidor do mundo em que vive encontra sua inspiração no Apocalipse do apóstolo João, daí o nome do filme, que remete a um dos selos que são abertos por ele no capítulo 7 do livro bíblico. O cineasta reconstrói a era medieval sueca não somente como mais uma retomada histórica do período, mas sim como uma alegoria do momento em que foi realizado o filme, os anos 50, quando a ameaça de uma conflagração nuclear era uma realidade onipresente. As feridas deixadas pela Segundo Guerra Mundial mal haviam cicatrizado, as lembranças dos genocídios nazistas eram intensas e a Guerra Fria estava em seu ápice. Era crença comum a iminente destruição do Planeta pelo próprio ser humano. Era urgente, para Bergman, expressar a angústia do mundo em que vivia, comum a estes dois períodos históricos. Embora seu foco principal não fosse a reconstituição do passado, suas investigações da época e a reconstrução da sociedade de então são preciosas e bem elaboradas. No enredo, o protagonista Antonius Block, interpretado magistralmente por Max Von Sydow, tem um encontro com a Morte assim que volta das Cruzadas e vê sua terra natal completamente arrasada pela peste. Seu momento também parece ter chegado, mas ele rejeita o fim da existência antes de realmente compreender o significado da vida. Determinado, ele convida a Morte para ser sua parceira em um jogo de xadrez, com o objetivo também de driblá-la. A Morte, porém, insiste em não respeitar o resultado da jogada, e teimosamente segue no encalço de Antonius ao longo de sua travessia pela Suécia da época. Durante a viagem o protagonista se depara com o lado negativo da devoção religiosa, traduzido em torturas, perseguição aos opositores, particularmente às mulheres, consideradas feiticeiras pela Igreja, e na sombra da Morte nutrindo-se da impotência do ser humano. Enquanto isso, Antonius decide defender quatro pessoas: o cético Squire Jons, o jovem casal Mia e Jof, além do bebê de ambos. Alguns estudiosos relacionam estes três personagens à família de Jesus. Ironicamente, este clássico teve uma nova estreia justamente no Natal de 1997, a julgar por seu conteúdo secular. O encontro de Block com a Morte e os profundos debates tecidos por Bergman em torno deste tema, além da surpreendente atualidade do filme, que transcende o contexto histórico em que nasceu, recomendam vivamente O Sétimo Selo ao público contemporâneo, que também vive sua experiência pessoal de destruição e Morte.

sábado, 17 de novembro de 2012

Fausto, atrás dos tempos...


Defensor de causas e de ideologias, subversivo nas ideias e na práxis, foi juntamente com outros cantores e compositores da época como
José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Luís Cilia, Vitorino ou Tino Flores, um dos símbolos da resistência à dolorosa agonia do Processo Revolucionário no pós 25 de Abril. Apaixonado pela temática dos Descobrimentos Portugueses desde o seu registo de 1979 “Histórias de Viageiros”, prefácio da sua grande obra de 1982 “Por Este Rio Acima” em que a partir das crónicas de Fernão Mendes Pinto, o principal Cronista dos Descobrimentos, traça um retrato da sociedade portuguesa procurando os pontos de confluência entre a época das naus e caravelas e os dias de hoje, Fausto canta sempre o lado do povo anónimo, não o lado dos heróis.
Poeta com um magistral sentido de criatividade, de descoberta e de dimensão contemporânea, compositor e arranjador dono de uma rítmica e de uma musicalidade que lhe permite bolinar igualmente bem em águas ora calmas ora logo em seguida conturbadas, Fausto continua a presentear-nos “por este rio acima” com o que de melhor se escreve e se faz em termos de música popular portuguesa, e esperemos que, para nosso puro deleite, por muitos e bons anos.
Entretanto, vale a pena  ouvir alguns dos seus mais brilhantes momentos de criatividade.
Divirtam-se.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Maior Flor do Mundo | José Saramago



A obra escolhida é A Maior Flor do Mundo é ,um conto infantil, escrito por José Saramago onde o autor/narrador mostra a sua vontade de escrever um livro para crianças, porém considera que não tem capacidade para tal tarefa. Temos então um esboço de uma história de um menino que ajuda a crescer a maior flor do mundo. O autor sabe que se soubesse escrever para um público mais jovem, esta "seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas...". Está lançado o desafio: contar, recontar, embelezar, alterar, a história. Saramago envolve-nos na sua história e lança um desafio: “Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita? …"
A obra permite diversos graus de aproximação. Na ilustração que acompanha o texto podemos identificar várias referências a um universo infantil: Ilha do Tesouro, Moby Dick, duendes, gnomos e fadas, entre outros. Parece-nos que as relações inter-semióticas estabelecidas entre o texto e a imagem, abrem um leque de possibilidades de interpretação polissémicas. Nefatalin Gonçalves Neto ressalva que, um dos grandes méritos de A maior Flor do Mundo é o facto de valorizar tanto a imagem como a palavra «Desta forma, pensar na ilustração do livro infantil é ver a imagem não a serviço do texto verbal. O ilustrador, tal como o poeta, representa em imagens visuais as imagens mentais suscitadas pela palavra. Como não há limites para a imaginação, o ilustrador pode até extrapolar o texto verbal, informando algo que a palavra não chega a expressar. É a literatura infantil educando o olhar dos pequenos e preparando-ospara o mundo ficcional. É próprio do escritor discutir o fazer poético. Assim é a obra infantil de José Saramago. Seu livro oferece à criança uma narrativa poética marcada pela preocupação estética do escritor conjugada à plástica do ilustrador». 
Este estudioso destaca a forma como iconicamente o escritor é representado, um homem velho, calvo, de sobrancelhas, que usa óculos e que possui uma característica especial: «sua roupa é uma composição de colagens de papéis sobrepostos. Esta sobreposição sugere uma metalinguagem da acção do escritor, uma pessoa que é feita tanto de carne quanto de papel, que constantemente usa de sua própria experiência pessoal para compor o ficcional. Sua feição, de quem pensa e reflecte o que está a escrever marca, picturalmente, uma nítida preocupação com o acto de escrever. É interessante notar que a postura do desenho que representa o escritor, com a mão esquerda apoiada no queixo, faz-nos d'O Pensador, de Rodin. Assim, o texto, que se mostra desde as primeiras linhas, auto-reflexivo, revela-se também dialógico e amplia sua dimensão por meio de ilustrações» (idem, ibidem).
Quanto ao texto de Saramago, este levanta imensas questões: o diálogo generoso entre o texto e o leitor; a possibilidade de cooperar com a história e o eterno desafio: «Vou ou não vou? E foi.». Depois o gesto da criança, herói sem nome cujo «agir altruísta […] garante à flor, anteriormente "tão caída" e "tão murcha", um renascimento vivificado, que se concretiza num seu afastamento simbólico da terra e numa sua elevação em direcção ao céu. Todavia, esse esforço hercúleo causa na criança uma mudança do seu estado, singelamente apresentada como um adormecimento»


Deste Lado da Ressurreição

Filme Deste Lado da Ressurreição

É um filme extremamente físico, que anseia pelo momento em que o físico se converta em metafísico.
 
Deste Lado da Ressurreição parece, a priori, um título abstracto; mas depois de se ver o filme percebe-se que ele afinal é muito mais descritivo do que parece, e que esta terceira ficção longa de Joaquim Sapinho (depois de Corte de Cabelo e de A Mulher Polícia) persegue obsessivamente uma maneira de tornar palpável, sensível, esta expressão - ou este lugar, “deste lado da ressurreição”. Dito de maneira simplista, é um filme extremamente físico, que anseia pelo momento em que o físico se converta em metafísico. É o movimento do filme, é o movimento das suas personagens, em especial do seu protagonista, entre as ondas do surf e as celas do convento. Mas é um filme que sabe - talvez ao contrário das suas personagens - que não há maneira de passar para o lado de lá, pelo menos não antes da “ressurreição”. Resta-lhe, portanto, filmar uma parede, bater contra ela, vezes e vezes: a parede onde a câmara se fixa no fim da sequência introdutória; vezes e vezes como os açoites auto-infligidos durante uma mortificação ritual. Bater contra a parede, tentar escavacá-la, como se fosse tudo o que se pudesse fazer.
Há uma “história” em Deste Lado da Ressurreição, uma história ao mesmo tempo muito fina e muito grave, dois irmãos distantes unidos (ou separados) por um mistério relacionado com o pai desaparecido, um “não-dito” que oscila entre ser pretexto dramático e ser, ele próprio, um elemento do drama (um encontro com um amigo do pai, por exemplo). Mas assim como esta história gravita em torno da aproximação e fuga entre os irmãos (o rapaz surfista, a miúda liceal), todo o filme trabalha na criação de movimentos de aproximação e fuga, de rimas e de oposições. O mar e a serra, o Guincho e o convento, ligados por um fio misterioso (que, dir-se-ia, se torna visível em certos planos), talvez o mesmo fio que mantém em contacto os quatro elementos - o mar e a terra, o ar (o céu estival e encarniçado) e o fogo (das velas que iluminam a escuridão do convento) - que, duma maneira muito básica (no sentido “elementar” do termo), tanto delimitam o filme, como se fossem as margens do seu “enquadramento”, como lhe habitam o centro e se tornam o seu coração. De resto, apetece dizer que, nesta espécie de “clareza” muito material, Deste Lado da Ressurreição responde - também em “fuga” - à bruma memorial e etérea que marcava o precedente filme de Sapinho, Diários da Bósnia. E ainda que, nesse regresso ao“básico”, talvez seja o filme do realizador que mais recua a um tempo até pré-Corte de Cabelo (como se fosse outro “corte”), voltando a pegar no que Sapinho deixara depositado no seu absoluto primeiro filme, À Beira-Mar, curta-metragem feita, nos anos 80, no contexto da Escola de Cinema. Sendo, de resto, e também por isso, razoavelmente evidente a que ponto Deste Lado da Ressurreição se relaciona com essa “escola de 80” (em todos os sentidos, próprios e figurados) e com a “geração”, ou “gerações”, que dela saíram. Pensamos, por exemplo, que nessa já referida sequência introdutória - montagem de planos curtos, sobre a natureza, figuras religiosas, paredes- a utilização do som, se não em pura dissociação pelo menos em clara assunção da banda de som como “outra coisa”, mais arbitrária do que necessariamente colada à banda de imagem, há qualquer coisa de António Reis (vem-nos à memória, por alguma razão, a entrada do som em“Jaime”).
O som, de resto, e também em termos de “aproximação e fuga” na relação com a imagem, é um aspecto notabilíssimo de Deste Lado da Ressurreição. É um filme em “falso silêncio”, cheio de rumores, cheio de sons que se arrastam (e que são também o som do “arrasto”, o som do atrito -da prancha contra as ondas, por exemplo), como que transportados de um sítio para o outro - ou o que vai dar ao mesmo, que criam a sensação psicológica desse transporte, duma permanência que vai muito para além de uma questão de “som ambiente”. Um som de desgaste, também: seja no mar, seja nos zumbidos do convento, há ali a expressão de uma “energia” a soltar-se das personagens, como que num processo de depuração, de despojamento - até ficar, como na cena da mortificação, o ruído que o rapaz faz sobre o próprio corpo.
Sem ser o típico “filme de surf”, e também sem ser o típico “filme de monges” (ou, já agora, o típico “filme de liceu”), Deste Lado da Ressurreição aproxima-se de todos com a curiosidade de quem está a inventar uma “antropologia”muito particular. Há um lado “tribal” -os surfistas, os monges, os estudantes - que o filme observa com admiração e espanto, a partir dos códigos (e cenários) que definem cada “tribo” mas também pela maneira através dos quais elas“comunicam”. Esse é, também, um “outro lado”, subterrâneo (ou subaquático...), uma espécie de“túnel” (como o de Corte de Cabelo), metáfora não totalmente desapropriada aos espaços do convento, e totalmente adequada ao grande mistério do filme: o que aproxima o que está separado, sejam as pessoas, sejam a banda de som e a banda de imagem, sejam os dois lados -este e o outro - da ressurreição?
 





terça-feira, 13 de novembro de 2012

Gente Feliz com Lágrimas




"Uma saga que irresistivelmente arrasta o leitor ao longo de cinco mundos, vividos e pensados através da obsessiva busca da felicidade que move os seus protagonistas. Concebida polifonicamente como a descrição dos vários modos de viver a amargura que medeia entre o abandono da terra e o retorno ao domínio do que é familiar, esta peregrinação possível em tempos de escassez de aventura é a definitiva lição de que o regresso se não limita a perfazer o círculo e constitui uma visão fascinante do Portugal que todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos."

Gente Feliz Com Lágrimas é um livro triste, muitas vezes violento e tão estranhamente próximo que se torna por vezes incomodo  Nele é narrada a história de Nuno e da sua família. Nuno é açoriano e o quarto filho de uma família onde as crianças nascem a um ritmo acelerado, "roubando" aos irmãos mais velhos a infância e a pouca ternura que os pais lhes dispensavam.
O livro está dividido em cinco partes. Na primeira parte Maria Amélia, Luís e Nuno contam-nos a infância dura que tiveram, numa família que gravitava em torno dos humores da figura paterna, um homem violentíssimo e duro, que espancava os filhos e os considerava apenas como braços para trabalhar que cedo tinham de começar a merecer o pão que comiam. A mãe era uma mulher que, ao contrário do que seria de esperar, não era submissa, mas sim desligada dos inúmeros filhos que lhe iam crescendo no ventre, era mesquinha e a versão feminina do marido para as filhas que com ela ficavam a gerir a casa. Este casal era, de certa forma, perfeito um para o outro, todo o amor que sentiam era direcionado para eles próprios, os filhos eram uma consequência da paixão animalesca que viviam.
Desta forma, Maria Amélia, a primogénita, tornou-se a única figura maternal que muitos dos irmãos conheceram. Com 4 ou 5 anos já tomava conta dos irmãos que iam nascendo a um ritmo alucinante, cozinhava e geria a casa. Nos intervalos dessas tarefas levava porrada da mãe se se distraia nalgum devaneio de criança ou se a sua tenra idade lhe dificultava a execução de algumas tarefas. Tornou-se uma menina triste e uma adulta amargurada e de olhos cansados.
Luís, o segundo filho, era um miúdo de bom coração que tentava proteger os irmãos travando a violência do pai. Começou, como todos os irmãos, a ajudar o pai nas tarefas diárias que a quinta exigia. E tal como todos os irmãos sentiu desde cedo a mão pesada do pai.
Nuno nasceu pequenino, o gémeo que sobreviveu, e cresceu frágil, magro, de pele clara e com os olhos azuis da mãe. Tão diferente do pai e dos irmãos foi sempre perseguido pelo pai que o achava um inútil que pouco contribuía para a economia da família.
Para fugirem aos trabalhos desumanos da quinta e à falta de amor dos pais, Maria Amélia ingressou num convento em Lisboa, Nuno num seminário, também no Continente e, Luís voluntariou-se para a tropa acabando por ser enviado para guerra na Guiné. Maria Amélia acabou por ser expulsa do convento gerido por freiras pouco caridosas e formou-se enfermeira ficando livre da influência dos pais. Nuno tem o mesmo destino, sendo expulso do seminário por se ter começado a interessar por política e a questionar em demasia. Torna-se professor e mais tarde um escritor relativamente bem sucedido, é o intelectual da família, de quem acaba por se afastar.
Nas restantes partes do livro, a história é narrada na perspectiva de Nuno, que entretanto se casou com Marta, a mulher que sempre idealizou mas por quem acaba por se desencantar. Conhecemos a sua vida e a dos irmãos que se encontram todos a viver no Canadá, para onde os pais também foram e onde acabam por morrer. Tanto Nuno como os irmãos vivem uma vida superficial, uma felicidade que nunca poderá ser livre de lágrimas, são todos eles "gente feliz com lágrimas".

É um livro pesado, muitas vezes doloroso e estranhamente comovente porque é desesperante a forma como todas aquelas crianças procuravam um gesto de ternura, de como mesmo sendo maltratadas não conseguiram nunca odiar os pais, tendo até tornado os seus últimos anos de vida o menos dolorosos possível. Que este pai me tenha conseguido surpreender com alguns gestos de genuína afeição no meio de tanta violência e descontrolo e que esses gestos tenham sido guardados nas memórias de infância daqueles adultos como se se tratassem de preciosidades é de cortar o coração. É na realidade um livro de cortar o coração e real demais.
O que me fez mais confusão foi o facto de eles nem serem uma família considerada pobre. Tinham algumas posses, eram proprietários de algumas terras e possuíam muitos animais. Trabalhavam muito é certo e tinham muitos filhos, mas a pobreza neste caso não era desculpa para a violência a que as crianças eram sujeitas desde cedo, forçadas a trabalhos pesados e a responsabilidades completamente desadequadas às suas idades. Não existiam atenuantes para a falta de amor daquele pai e daquela mãe e isso foi o que mais confusão me fez. Isso e o facto de toda a vizinhança saber do tratamento que era dado às crianças da família e nada fazer para além de criticar, virar costas ao pai e mais tarde ostracizar os filhos por serem filhos de quem eram.
É um livro muito duro mas que está escrito com algum sentido de humor e onde a crítica social está bem evidenciada. Retrata uns Açores agrestes, onde a natureza quase selvagem tornava a vida de gente já muito pobre ainda mais difícil. Bonitos e magníficos mas onde era extremamente duro viver e cujos habitantes eram eles próprios duros e tristes e cansados e desesperados.
Excerto:
"Não compreendera ainda como o tinha eu salvo da crucificação. Mas quando os seus braços musculados se abriram para o meu corpo delgado, senti que o peito se lhe tornara discretamente ofegante, ao reconciliar-se com o meu. E, estando eu morto, ressuscitei. E, pedindo-me ele de novo que comesse, agarrei na tigela com as mãos muito trémulas e pus-me a sorver, em apressados e sôfregos tragos, aquele delicioso caldinho de farinha, com cujo sabor se cruzou para sempre a memória doce da minha infância. E os olhos dele, rasando-se de lágrimas, eram afinal olhos felizes com lágrimas - assim você me perdoe o facto de a minha história comportar também episódios felizes..."

Zeca Medeiros




Sobre

"O Zeca é um pássaro. Ele canta, encanta, inventa e reinventa, sem nunca cansar quem o ouve – e que o vê."
Sobre o novo disco: 

Fados, Fantasmas e Folias assinala o regresso do multifacetado artista açoriano, José Medeiros. Autor de todas as músicas, letras e ilustrações deste "livro-disco", o músico funde e confunde o valor da palavra com a tradição e cultura açoriana, acrescentando-lhe com uma mestria incontornável o tom grave e rouco da sua voz, ora embalador, ora poderosamente desconcertante. 
Fazem parte do sucessor de «Torna-Viagem» (vencedor do prémio José Afonso), temas como «Camarim – Canção da Timidez», «Piano Abandonado», «O Beijo da Medusa», «Tango da Mulher Camaleão», «A Ilha de Arlequim» ou «Balada da Ilha do Tesouro», reunidos em dois discos. Zeca Medeiros é um artista completo, um embaixador das terras açorianas e a sua música é carismática, repleta de sentimentos precisos, onde impera a melancolia, numa verdadeira festa de emoções.
O artista destaca-se pela interpretação intensa dos seus temas, pela sua entrega à arte e vai para além da dictomia da tristeza e da alegria, dos fados e das folias, fala do fantasma da guerra e dos fantasmas do quotidiano, da autenticidade de um artista que já nos habituou a um registo muito próprio, do carisma que caracteriza a sua forma de estar na vida, dos horizontes vastos da cultura tradicional e contemporânea, sem esquecer o drama, presente nos cenários teatrais que cria e recria na sua obra. Mas mais do que uma representação do arquipélago açoriano, este disco (que também é livro) de Zeca Medeiros é uma viagem pela história de cada um e pelas memórias comuns de todos os portugueses. Além de ser pontuado aqui e além de citações a diversas áreas artísticas que revelam a cultura que está impregnada de forma indelével ao artista. Realce-se a sua constante presença no teatro e no cinema e a aura de dramaticidade que envolve tanto a lírica como a forma de se expressar quando canta.
Mais do que música, José Medeiros faz das palavras verdadeiras armas de pensamento, que fluem nos soberbos arranjos de Paulo Borges, Gil Alves, Carlos Guerreiro («Gaiteiros de Lisboa»), do jovem pianista Jorge Silva e de Manuel Rocha («Brigada Victor Jara»), entre outros. Destaque para a participação de João Afonso no tema «O Movimento da Sombra Chinesa», de Uxia em «Santiago Campo d'Estrelas», de Mariana Abrunheiro em «Sempre Há-de Ficar Uma Semente», do grupo «Moçoilas» em «O Romance do Soldado», de Filipa Pais em «Canção de Embalar (O Feitiço do Vento)», de Rui Veloso em «Fado Insulano» e ainda de Marta Rocha Pereira, Pilar Silvestre, Helena Oliveira e Minela. Do disco fazem ainda parte «A Ilha de Arlequim» e «Balada da Praia do Norte», escritos para o tele-filme «A Ilha de Arlequim», dos temas «Sempre Há-de Ficar Uma Semente», «Balada da Candeia», «Tango do Éden Cabaré» e «Roda, roda, rotativa» escritos para a teatrice musical «O Sorriso da Lua nas Criptomérias» e ainda dos temas «Canção do Sustento», «Canção de Embalar (O Feitiço do Vento)» escritos para os telefilmes «Gente Feliz com Lágrimas» e «O Feiticeiro do Vento». Uma viagem a não perder.



domingo, 11 de novembro de 2012

História Trágica Com Final Feliz (Completo)



 A História Trágica com Final Feliz começou por ser gravura, depois passou a filme e acabou num livro que também traz o filme. Regina Pessoa, a sua autora, diz que "as histórias que gosto contar são sempre simples, acerca de pessoas que conheci. Umas ainda vivem, outras já morreram. Tiveram vidas anónimas ou ignoradas, passaram despercebidas por este mundo e rapidamente foram esquecidas. Interessam-me os mistérios, os pequenos dramas e a poesia que se escondem nas suas vidas aparentemente banais. São elas os meus heróis e as minhas referências". Com narração de Manuela Azevedo dos Clã, a história de uma menina com um coração de pássaro. Como um pequeno anjo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A menina que roubava livros



Uma história simplesmente magnífica. A menina que roubava livros, narrada na época da Alemanha Nazista conta a triste história de Liesel Meminger uma menina que nossa narradora, a morte, encontrou três vezes. Mas nas três vezes nossa “sobrevivente” consegui tapeá-la.

Uma menina que trazia escondido em sua mala, um livro: O Manual do Coveiro. O rapaz que enterrara seu irmão deixara o livro, de capa preta e letras prateadas, cair na neve por distração e este foi o primeiro dos vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. Essa menina passa por muito sofrimento em sua nova casa com sua mãe e pai de criação, Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Mas apesar de todos os acontecimentos ruins faz muitos amigos na Rua Himmel, entre eles está Rudy, o namorado que nunca teve.
Foi por meio dos livros que Liesel viu a oportunidade de fugir de toda a tristeza que a perseguia. Ensinaram-na a ler, um enrolador de cigarros e um acordeonista. No abrigo, durante os bombardeios, ela sacudia as palavras para manter todos mais calmos. Era a sacudidora de palavras. Até que um dia ela escreveu seu próprio livro. Até que um dia as sirenes não tocaram para avisar sobre as bombas. Até que um dia a Rua Himmel foi devastada. Até que um dia só sobrou a menina que roubava livros nos escombros de um porão raso demais para suportar.
Gente o livro é ao mesmo tempo inspirador e triste, não tenho palavras para expressar o quão maravilhoso é esse livro. Fala-se muito sobre a força e a magia das palavras e como elas podem salvar ou condenar. Refletindo sobre, ocorreu-me uma citação que a meu ver deve ser gravada aqui:
 “As palavras sempre ficam. Lembre-se sempre do poder das palavras. Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo”.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Jon toca o piano e Steven toca o violoncelo - ambos utilizando os tipos elétrico e clássico.


Steven Sharp Nelson nasceu em 1977 em Salt Lake City. Ele é um pioneiro em "cello percussion"- um método alternativo que combina o desempenho tradicional, técnicas líricas de violoncelo com pizzicato convencional e técnica percussiva. Ele reside em Salt Lake City, Utah e é membro d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele e sua esposa Julie tem 3 filhos. Ele começou a estudar violoncelo aos 8 anos de idade, percussão aos 12 anos e violão aos 17 anos. Ele inventou um novo método de tocar violoncelo, que combina elementos aprendidos com cada um destes instrumentos.

Ele estudou o violoncelo (ainda seu principal instrumento), com Ryan Selberg, Emerson Stephen e John Eckstein. Formou-se em música pela Escola de Musica da Universidade de Utah School of Music, graduando-se em 2002.

A carreira de Steven começou quando ele tinha 15 anos. Desde então, ele gravou mais de 100 álbuns diferentes, que vão do folk, bluegrass ao hip hop. Ele também fez o seu caminho como artista solo. Seu primeiro álbum Sacred Cello (2006) foi no topo das paradas da Billboard. Ele fez também mais dois álbuns solo que também receberam elogios significativos (Tender Mercies, 2008 e Christmas Cello, 2010)

Nelson é bem conhecido por sua parceria com o pianista Jon Schmidt formando o The Piano Guys que já publicaram vários clips que viraram sensação no Youtube. Schmidt e Nelson trabalham juntos nos Estados Unidos e do mundo.

Seu estilo e marca registrada é a de sempre fazer paródias musicais com muito bom humor em cada performance.



Jon Schmidt é o parceiro de Nelson no The Piano Guys. Ele nasceu em  1966 de imigrantes alemães e cresceu ouvindo Beethoven, Mozart, Chopin entre outros. Ele é um talentoso pianista americano e reside em Bountiful, Utah . Seu estilo é "New Age Clássico". Ele começou a escrever músicas aos 11 anos. Até o momento, ele lançou oito álbuns e sete livros de partituras para piano contendo transcrições de arranjos originais.




Seu trabalho é freqüentemente descrito como música New Age com elementos pop, hook e melody . Os arranjos de Schmidt para o piano e violoncelo da música Love Story gravada por Taylor Swift e Viva La Vida gravada por Coldplay, que é chamada de Love Story meets Viva La Vida, tem mais de 2,04 milhões de acessos no YouTube. Muitos dos Seus ávidos fãs postaram vídeos no YouTube imitando o seu estilo.

Como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons), Schmidt tem demonstrado sua fé criando músicas limpas (sem palavras ofensivas ou impróprias) e religiosas. Um dos seus CDs é o Hymns Without Words (Hinos sem Palavras).

Atualmente vive em Bountiful, Utah, com sua esposa Michelle e seus cinco filhos.

The Piano Guys (Os Rapazes do Piano) é um grupo musical americano composto por Jon Schmidt e Steven Sharp Nelson. Eles ficaram famosos através do YouTube, onde vêm postando vídeos de arranjos e misturas de músicas populares e clássicas, acompanhados de clipes de visual profissional. Seu primeiro álbum foi lançado em dezembro de 2011. 

O grupo teve início quando o pianista Jon Schmidt entrou na loja de Paul Anderson, em St. George, Utah, para perguntar se ele poderia praticar lá para um concerto. A partir daí, eles começaram a produzir alguns vídeos simples juntos. Em seguida, Jon trouxe para o grupo o violoncelista Steven Sharp Nelson, com quem ele já havia tocado antes, e eles começaram a produzir um vídeo por semana para o YouTube. Alguns dos seus vídeos alcançaram a marca de mais de um milhão de visualizações.

O time também é composto por Tel Stewart e Al Van Der Beek, que trabalham na produção das músicas e vídeos.

Jon toca o piano e Steven toca o violoncelo - ambos utilizando os tipos elétrico e clássico.

Em muitas músicas, eles gravam várias trilhas de áudio que são misturadas. Ocasionalmente, eles também sobrepõem os vídeos das diversas trilhas para dar a impressão que muitos músicos idênticos estão tocando ao mesmo tempo.
Para ouvir vários dos seus mais famosos temas:


O Pássaro da Alma



Um livro de grande beleza poética, dirigido a todas as idades mas especialmente aos mais pequenos, explica-nos, de forma delicada e poética, a relação entre a nossa alma e nós mesmos através da metáfora de um pássaro. De forma poética e única somos convidados a “voar” dentro do nosso mais íntimo e profundo sentir para perceber aquilo que sentimos, como o sentimos e porque o sentimos.

Herbie Hancock

Herbie Hancock

Hancock começou a aprender piano aos sete anos de idade, junto com seu irmão. Waymon era três anos mais velho, poderia jogar um futebol americano, acertar uma bola de beisebol e mármores do flick habilmente. "Antes, eu era o único inepto," Herbie lembra. "Pela primeira vez, era um campo aberto. Daquele ponto em diante, eu não sair e jogar com o meu irmão mais." Dentro de quatro anos, ele era bom o suficiente para realizar o primeiro movimento de um concerto para piano de Mozart com a Orquestra Sinfônica de Chicago.

No momento em que ele se juntou Davis em 1963, Hancock já tinha uma reputação crescente como líder de uma banda em seu próprio direito.Um dos seis originais no seu álbum de estréia de 1962, Takin 'Off, pegou a orelha do percussionista cubano Mongo Santamaria, que montou seu sulco evangelho no hit parade. Watermelon Man desde então se tornou um padrão, gravadas centenas de vezes, mas os royalties de que a cobertura de primeiro definir Hancock-se para uma carreira na qual ele alternadamente Assumimos riscos e jogou pelo seguro, liberando a música, negrito experimental, bem como diretamente pop comercial.
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Fora de jazz, ele é mais conhecido para os 1973 de funk Hunters álbum Cabeça e 1983, electro quebra Rockit, com seu vídeo de manequins sem cabeça passo de ganso e moonwalking através de uma casa. Para os puristas que querem recauchutagem de suas primeiras declarações artísticas, essa obsessão com as novas tecnologias é um beco sem saída. Se Miles ainda estavam vivos, as exigências de uma reunião seria insuportável.
A primeira vez que se encontrou com Hancock Davis, na casa do trompetista, Davis mal jogou, preferindo se esconder no andar de cima e ouvir Hancock, o baixista Ron Carter, o baterista Tony Williams e George Coleman saxofonista através do intercomunicador. Quatro ensaios depois, definir uma data na Columbia estúdios para gravar sete etapas para o céu. "Foi quando eu finalmente fez a pergunta:" Será que isso significa que eu estou na banda? " Miles me deu esse sorriso maroto e disse: 'Nós estamos fazendo um registro de filho da puta. "O sussurro grosseiro se dissolve em uma risada. Herbie goza de sua representação muito para manter uma cara séria.
A seção rítmica jovem logo se desenvolveu um entendimento telepático.Por um tempo, realizando o material 1950 que tornou famoso Davis, Hancock se contentou em imitar seus antecessores sobre o banquinho do piano. "Era como se eu estivesse segurando", diz ele. "Algo não estava ficando satisfeito em mim." Uma noite em Chicago, ele decidiu jogar o seu próprio caminho, colidindo com os solistas, que tinham vindo a esperar um estilo mais educado.




Ao longo de seis álbuns, com a adição do saxofonista Wayne Shorter, a banda Davis elevado improvisação modal a novas alturas, brincando com a originalidade de tirar o fôlego em alta velocidade, em um sistema que veio a ser conhecido como "o tempo não muda" para o caminho eles dispensado com esquemas de acordes completamente.
Os cinco homens empurraram e desafiou cada estrutura, outro mantendo a um mínimo, em uma das maiores expressões da democracia no jazz. Como Davis colocá-lo em sua autobiografia: "Você tem os caras certos para jogar as coisas certas na hora certa e você tem um filho da puta."
Essa é a lição Hancock mais valoriza. Ele confiou em cada uma de suas bandas para se expressar. Em Mwandishi, o grupo de fusão formou em 1969, após Davis demitido ele (seu substituto no grupo Davis foi Chick Corea), deu synth programador Patrick Gleeson licença para experimentar. Para Choque do Futuro, o álbum que gerou Rockit, ele cedeu para a produção de Bill Laswell electro-inspirado. Como um colaborador instintiva, Hancock é bem adequado para a moda atual para grandes projetos corporativos liderada por um desfile de cantores comercializáveis. Sobre as possibilidades do álbum, ele recuou Christina Aguilera, Damien Rice, Joss Stone, Paul Simon e Annie Lennox. Ele não faz distinção entre isso e mais o seu trabalho de vanguarda, insistindo que ambos envolvem sair de sua "zona de conforto".
Quando sua coleção de covers de Joni Mitchell, River, foi eleito o melhor álbum no Grammy no ano passado, foi apenas o disco de jazz a ganhar o segundo prêmio, quatro décadas depois Getz Stan Getz / Gilberto combinado saxofone suave com frio brasileiro. Assim como a bossa nova clássico Getz, um bar de vinhos em vinil, Rio é um registro requintadamente palatável. Arranjos de Hancock são harmonicamente inventivo, como sempre, mas a bateria nunca está mais alto do que um murmúrio e os cantores - incluindo Norah Jones, Corinne Bailey Rae, Tina Turner e ela mesma Mitchell - dar contidas, performances sensíveis.
"A razão parece confortável é porque eu estou confortável sendo desconfortável", diz Hancock. "Não é fácil jogar em um quadro que requer simplicidade e bom gosto para encontrar maneiras de inserir o tipo de liberdade que temos em tocar jazz. Meu desejo era de andar na corda bamba e que isso não é fácil de fazer."
Acusações de vender têm sido uma característica constante da carreira de Hancock a partir do momento Maiden Voyage foi encomendado como um jingle para Yardley aftershave. Quando ele gravou três álbuns Mwandishi, as pessoas diziam que ele estava respondendo ao modo duplo Davis 1970 do álbum Bitches Brew tinha atravessado com o público de rock. Quando ele abandonou essa ferozmente experimental, banda de budista para fazer Head Hunters, os críticos denunciaram que isso também foi uma decisão puramente comercial. Hancock admite que há alguma verdade nisso. "Nós fizemos isso - conquistando novos territórios, explorando, mas eu cansei disso", diz ele. "Não, eu não expressar muito bem. Cansei de ser só isso. Havia algo em mim que não estava muito satisfeito." Head Hunters foi uma maneira de fazer música de dança, para deixar entrar a James Brown e Sly Stone influência ele já tinha filtrado, mas era também uma busca de maior relevância. Nas notas da luva para o conjunto de caixa de Mwandishi, ele confessou que estava cansado de ver seus discos nas prateleiras, mas nunca ouvi-los jogado. No entanto, os dois últimos dos álbuns Mwandishi, cruzamentos e sextante, estão entre as mais influente, respeitado pelos fãs de rock progressivo, música eletrônica, hip-hop e acid jazz.

domingo, 4 de novembro de 2012

CARMINHO no Coliseu 09-11. Sexta às 21h30



Carmo Rebelo de Andrade - mais conhecida como Carminho - é uma das maiores revelações recentes das noites de fado de Alfama. Depois de "Fado", o aplaudido álbum de estreia, regressou com "Alma".

Mais uma vez, Carminho seguiu a direção musical de Diogo Clemente. E, mais uma vez também, optou por combinar originais com versões. Estas nem sempre são as mais óbvias: além de se debruçarem sobre momentos não tão conhecidos do repertório de nomes como Amália ou Maria Amélia Proença, vão buscar temas de Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Outra mais-valia do álbum está nos fados tradicionais preenchidos com outras letras, como acontece com um poema de António Gedeão.
Até há bem pouco tempo, Carmo Rebelo de Andrade era um dos segredos mais bem guardados dos frequentadores assíduos das casas de fado de Alfama. A participação no filme "Fados", de Carlos Saura (2007), deu-lhe uma certa visibilidade. Entretanto, o seu blogue de viagens, que relatava a sua volta ao mundo em ações humanitárias, ganhava cada vez mais adeptos. No regresso dessa viagem, Carminho assumiu de vez a vocação para o fado.

sábado, 3 de novembro de 2012

Rodrigo Leão - As Cidades

Rodrigo Leão prepara-se para apresentar um novo espetáculo. Tem por título Os Portugueses e baseia-se na música que criou a convite de António Barreto para a excelente série documental Portugal, Um Retrato Social, que a RTP exibiu muito recentemente. As imagens fortes recolhidas para compor a panorâmica da sociedade portuguesa contemporânea, inspiraram Rodrigo Leão a criar uma música igualmente forte, com subtis marcas da nossa identidade. Essas peças foram agora adaptadas para esse ecrã maior que é o palco e serão levadas estrada fora ao encontro do país que as inspirou. Este espetáculo beneficiará ainda da inclusão de alguns temas inéditos e das canções em português que Rodrigo compôs na fase mais recente da sua carreira. O Retrato Social passa a Retrato Musical, pintado ao vivo.





Rodrigo Leão Inspiração é!!! Ainda me lembro da primeira vez que ouvi suas musicas comecei a rodopiar como uma bailarina. É uma valsa dos Sonhos (a Minha valsa da Libertação). Leveza em grande parte de suas musicas...



Olga



Título Original: Olga
Título Traduzido: Olga
Gênero: Drama
Duração: 141 Minutos
Ano: 2004
Direção: Jayme Monjardim
Elenco: Camila Morgado (Olga Benário)


Olga Benário era uma judia alemã, no período de Hittler, cheia de ideais que sai de sua casa e vai para a Rússia aprender táticas militares com os comunistas. Logo é chamada para uma missão no Brasil para proteger o revolucionário Carlos Prestes. O processo em que os dois se envolvem amorosamente, apesar da relutância de Olga, é longo, desnecessário e maçante. Mas as cenas sexuais dos dois são belas e bem criadas. É belo e cria uma empatia com o telespectador. 
Quando a ação de Carlos Prestes é frustrada pelo governo brasileiro, e a polícia militar os separa, existe uma longa cena dramática ao extremo, que puxa para o novelístico global que poderia ter sido dispensada pelo diretor. Olga é presa e deportada para a Alemanha nazista, enquanto Carlos permanece preso no Brasil. O drama acontece quando a cena envolve a separação de Olga e sua filha pelos soldados alemães nazistas e ela é levada para o campo de concentração onde morre em uma câmara de gás.
 Para ver filme :
 http://www.youtube.com/watch?v=tDS3m-hPKF0

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ladrões de Bicicletas clássico de Vittorio de Sica (1949)




Este clássico de Vittorio de Sica (1949) está aí para ensinar-nos que nem sempre “Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce”. Por vezes o Homem não pode fazer nascer Obra, porque os elementos do Mundo jogam contra a sua Vontade. Nem tudo depende só de nós. Especialmente, há momentos em que não temos controlo sobre as coisas mais importantes, e os acontecimentos flúem na direcção exactamente oposta àquela que gostaríamos que fluíssem.
Numa Roma destruída pela guerra, as famílias lutam pela sobrevivência. Quando surgem oportunidades de trabalho, os homens amontoam-se e fazem tudo para conseguir o posto que garantirá ao menos comida sobre a mesa. Qualquer coisa serve. A Antonio, o protagonista, é garantido um lugar como colador de cartazes, se ao menos ele preencher um único requisito: ter uma bicicleta. O filme segue então um argumento tão simples quanto o utensílio de trabalho de António: no primeiro dia, a bicicleta é roubada, e o resto do tempo é passado a tentar recuperá-la.
Dotado de inteligência, força, uma vontade por vezes capaz de fazer ultrapassar-se a si mesmo (capacidade indispensável se se quiser, de facto, ver a Obra nascer), o facto é que quando o Mundo, ou a combinação de todos os eventos que se vão sucedendo, não produz a possibilidade de nos libertarmos dos nossos problemas, então não temos outra solução senão resignarmos perante a nossa fraqueza. De resto, a capacidade de o Homem superar-se a si mesmo e às adversidades não seriam louvadas se não houvesse a intuição de que defronte ao Absoluto podemos, em geral, pouco. Por exemplo, o mérito de “vencer a morte”, criando algo que nos projectará para além dos limites do nosso corpo mortal, não é mais do que, ao mesmo tempo, uma consolação e uma constatação da nossa finitude, da nossa precariedade. E esta precariedade envolve seja o “corpo” seja a “mente” (estes duas outrora separadas substâncias, cada vez mais se identificam uma com a outra), naquele no que respeita, por exemplo, à impossibilidade de ultrapassar certos limites físicos, e nesta no que respeita, por exemplo, à debilidade do nosso conhecimento.
Ladrões de Bicicletas é a metáfora do Homem des-sacralizado, separado de um imaginário religioso em que ele e Deus se olham com confiança, certos que estão da reconfortante presença um-em-face-do-outro. Mas Antonio é um homem que sabe que tem de ser ele a agir, e, mais importante, sabe que a teia que envolve cada acção sua é da sua inteira responsabilidade. O filho que o acompanha fielmente, mas que tem fome, a mulher que vende objectos da casa para obter algum dinheiro, são pessoas que dependem do trabalho de Antonio, e é com esse peso que ele tem de avaliar cada acção. Se não for ele a agir, ninguém o fará por ele.
A acentuar o motivo da “individualidade responsável”, e particularmente da solidão perante o Mundo, temos a situação histórica de uma Europa arrasada pela guerra, provocada por uma figura que, embora protegido pela Igreja, incarne a negação dos maiores valores morais cristãos (a dignidade da pessoa, a bondade, o respeito pela vida…). É neste desfasamento que surge entre o Homem e a moralidade não-secularizada, entre aquilo que o Homem pode sonhar e ambicionar, e aquilo que depois efectivamente é capaz de fazer, entre a resistência e a inadequação que há entre “os sonhos de todos os filósofos” e a realidade, que está situada a tragédia de Antonio. Ele é “O Homem que está condenado a ser livre”, como anunciará o existencialismo de Sartre e Camus.
Outro elo perdido espelha-se (mostra-se escondendo-se…) na ausência de algo, dentro das imagens, que faça o espectador acreditar que uma qualquer Justiça Universal acabará por intervir, resolvendo o drama de Antonio, reavendo-lhe a ansiada bicicleta. O decorrer das cenas mostra, ao invés, que por mais que se procure, o objecto do nosso desejo escapa-nos, adianta-se sempre em relação ao nosso último passo, para sempre desaparecido do arco da nossa percepção. Enquanto Antonio, o seu filho e os seus amigos procuram a bicicleta pelo mercado de Piazza Vittorio, sabemos que os ladrões já a desmontaram e vendem agora apenas as peças. A polícia nada pode fazer (está demasiado ocupada em reuniões de sindicatos), e mesmo quando Antonio descobre o ladrão, por acaso, este escapa-se para dentro do seu bairro, onde, pressionado pela fúria do desesperado protagonista, sofre um ataque epiléptico, causando a fúria dos seus amigos, que o expulsam violentamente. Todo o complexo sistema de relações que são precisas para obter o que se deseja se anula a cada passo de Antonio, resvala por entre os seus dedos como areia, abandonando-o mais do que nunca a si, preparando a acção para que a derradeira decisão tenha lugar.
É no desabamento de todos os valores (a lembrar a nova moral de Nietzsche) que o Homem se prepara para se copiar e reproduzir: Quando cai a esperança na bondade do Mundo, o indivíduo é deixado a si próprio: auto-referencia-se. O culminar deste princípio de acção aparece quando Antonio decide, mesmo depois de uma visível batalha interior (a cena é formidável), cometer o mesmo crime de que foi alvo. O gesto de Antonio expressa ao mesmo tempo o desespero e a insurreição do Homem perante o abandono a que o Mundo o votou. A imitação do gesto infractor exprime na perfeição o mecanismo de transferência resultante de um descentramento da confiança no Mundo, em direcção a uma radical incerteza acerca do lugar que habitamos. Depois da queda da “certeza” na perfeita ordenação do mundo e do lugar pré-estabelecido que nos foi conferido, agora o Homem apenas vê em si mesmo, e no seu abandono, “a medida de todas as coisas”. (confronte-se, por exemplo, a “dignidade do Homem” no humanista Pico della Mirandola, ou o valor metafísico da “harmonia pré-estabelecida” e as suas consequências para a moralidade, em Leibniz, com a radicalidade deste novo caos –e também Cais – do abandono).
Este já não é o melhor dos mundos possíveis – e a História que escrevemos no último século responsabiliza-nos por isso. A coragem de nos livrarmos de um deus ordenador resultou no despedaçar da nossa grande referência, seja moral ou epistémica, e lançou-nos na plena secularização do gesto . Tudo o que fazemos, a forma como olhamos, a forma como pensamos, preenche-se de desconhecimento, de incerteza e, ainda assim, de insurreição. Queremos ainda, e não cremos. Mas persistimos, tentamos e falhamos, somos perseguidos porque os outros não compreendem a legitimidade do nosso gesto, pois “os outros” referenciam-se a partir de si. Tudo se reorganiza numa dinâmica sem centro. Ou talvez numa organização plural e apenas aparentemente desordenada, em que cada irredutível subjectividade participa ainda de algo que já não encontra, porque lhe apagou apenas a face.